Mercado imobiliário e Evergrande viram maiores dores de cabeça da China; entenda.

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Autoridades tentaram tranquilizar os investidores de que a crise não sairá do controle, mas impacto de longo prazo é altamente incerto. Dívida pendente do setor imobiliário é aproximadamente equivalente ao PIB do Japão. REUTERS/Xihao Jiang.

O grupo chinês Evergrande se tornou rapidamente a maior dor de cabeça corporativa da China, uma vez que ele enfrenta dívidas de mais de US$ 300 bilhões, e o destino da segunda maior incorporadora imobiliária do país está mantendo os mercados globais em estado de apreensão.

Uma série de autoridades da China tentou tranquilizar os investidores de que a crise não sairá do controle e que os interesses dos credores serão protegidos, mas seu impacto de longo prazo no setor imobiliário e na economia do país é altamente incerto.

Veja o que precisa saber sobre o setor imobiliário da China:

Quão grande é o setor?

O setor é o que mais contribui para o Produto Interno Bruto (PIB) da China, respondendo por mais de um quarto do resultado quando as indústrias relacionadas são incluídas, segundo economistas.

Um vasto ecossistema de fornecedores e prestadores de serviços floresceu em torno de grandes incorporadores imobiliários e o setor imobiliário desempenhou um papel crucial na criação de empregos e geração de caixa para os governos locais.

As vendas de terrenos na China respondem por um terço de suas receitas, que chegaram a 27,3 trilhões de iuanes (US$ 4,3 trilhões) em 2020, de acordo com o banco japonês Nomura.

As propriedades respondem por 40% dos ativos pertencentes às famílias chinesas, segundo a Macquarie, levantando preocupações de que, se a bolha estourar, os consumidores se sentirão menos ricos e se tornarão mais econômicos, o que afetaria outros setores da economia.

O valor das vendas de terrenos em todo o país caiu 17,5% em agosto em relação ao ano anterior, de acordo com cálculos da Reuters usando dados do Ministério das Finanças, a maior queda desde fevereiro de 2020.

Cidades fantasmas.

A China tem cerca de 65 milhões de residências vazias, o que equivale ao número total de residências na França e no Reino Unido somados, devido a um grande boom de construção e especulação galopante.

Apostando no crescimento sustentado, uma grande proporção dos 1,4 bilhão de habitantes da China – algumas estimativas dizem que cerca de 70% – têm dinheiro empenhado em propriedades residenciais.

De acordo com o banco central chinês, 93,6% das famílias urbanas possuíam casas no ano passado, uma das taxas mais altas do mundo.

O mercado imobiliário continuou a se expandir porque os investidores, incorporadores e compradores de casas geralmente acreditam que o setor é importante demais para a economia para que o governo permita qualquer correção significativa.

Montanha de dívidas.

O setor imobiliário da China depende fortemente de crédito e muitos incorporadores estão lutando contra o peso das dívidas. No final do segundo trimestre, as incorporadoras chinesas deviam 33,5 trilhões de iuanes (US$ 5 trilhões), ou um terço do PIB do país, mais do que o dobro de 2015, de acordo com o Nomura.

A dívida pendente do setor é aproximadamente equivalente ao PIB do Japão, a terceira maior economia do mundo.

Títulos no valor de US$ 92,3 bilhões emitidos por incorporadoras chinesas têm vencimento no próximo ano, mostram os dados do Refinitiv.

A inadimplência dos títulos saltou nos últimos trimestres, de 5,5 bilhões de iuanes no último trimestre de 2020 para 21,5 bilhões em meados de agosto, informou o Nomura.

Evergrande.

Fundada em 1996, a Evergrande tem dívida de mais de US$ 300 bilhões, o que é equivalente aproximadamente ao PIB da África do Sul e maior do que a da Finlândia. A incorporadora possui mais de 1.300 projetos imobiliários em mais de 280 cidades chinesas.

Agora, a incorporadora mais endividada do mundo, a Evergrande tem US$ 19 bilhões em títulos nos mercados de capitais internacionais.

Vendas de imóveis.

Em 2020, as vendas de residências aumentaram 3,2%, para 1.549 milhões de metros quadrados, em relação ao ano anterior, com vendas em valor de 10,8%, para 15,5 trilhões de iuanes, de acordo com o departamento de estatísticas da China. Isso se compara aos 970,3 milhões de metros quadrados vendidos em 2011 por 4,9 trilhões de iuanes.

Mas o mercado imobiliário da China começou a desacelerar em 2021, registrando a tendência de queda mais longa desde 2015 em novas construções, enquanto as vendas de propriedades por área útil caíram 15,8% em setembro, a terceira queda mensal consecutiva.

Preços e estoques de casas.

Os preços das casas na China dispararam na última década. Variam muito entre as regiões do país, mas, em média, os preços aumentaram 99% para 9.980 iuanes por metro quadrado em 2020 de 5.011 iuanes em 2011, de acordo com cálculos da Reuters baseados em dados do departamento de estatísticas.

No final de setembro, os estoques não vendidos de casas estavam em 224,2 milhões de metros quadrados, de acordo com o departamento de estatísticas. Os estoques não vendidos eram de 223,8 milhões de metros quadrados no final de 2020.

Empréstimos às famílias.

No final de junho, os empréstimos às famílias em moeda nacional e estrangeira, a maioria dos quais hipotecários, estavam em 67,8 trilhões de iuanes (US$ 10,6 trilhões), de acordo com os últimos dados do Banco Popular da China.

Fonte perquisada: CNN Brasil.

O escritório Debora de Castro da Rocha, atua no Mercado Imobiliário Nacional e Internacional.

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